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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Infância


Autor: Laércio Lins (Texto e gravura)


Um mundo, um jardim.
Músicas dos sinos da igreja
e cheiros dos canaviais.
Festa, um show, a luz do sol sobre a praça.
Nova era, outra era, outra esfera.
A diferença entre a rosa e a flor.
O encanto era vento, sopro que me transformou.
Um espaço, hora tempo, entre olá e alô.
Paz e às vezes medo do fim do mundo descrito por meu avô.
O futuro era um lugar onde existiam telefones sem fio.
Tudo preto no branco. Em outras horas, cor.
Giz, pincéis, carvão, lápis de cor
Lindas telas, o artista, a escultura. Artes e o pintor.
No quintal fauna, flora, espinho, mato e flor.
Entre peixes, entre rios, entre serras.
Meu amor era de pedra e depois desabou,
se fez ar e voou na fantasia da namorada que inventei.
Açúcar na usina, mel.
A palavra e o silêncio, brincadeiras, correrias na rua,
“Passarás,” “Pega soltou,” “Rouba bandeira” e “Garrafão.”
Bola de gude e pião.
Gastronomia de reis e rainhas: Quebra-queixo, bolo, picolé e pirulito,
Arma pra todas as guerras: Boné, estilingue e apito.
Far West, cenário de um cavalo de vassoura.
Noites de estrelas, vagalumes e contos de assombração.
Lendas do castelo encantado da Serra da Prata.
Universo de meu sonho real de menino.
Tempo, um templo que me transformou no que sou.


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