terça-feira, 18 de setembro de 2012

Maquiagem

Autor: Laércio Lins

Realce da alma, olhos,
janelas delineadas,
negrito ao rosto calmo.
O rosto no espelho, sombras, retratos.
Quadro, enquadro do olhar e do olho que vê,
que guarda a clareza, a cor e o tom.
Batom, moldura da boca,
casa da palavra, da voz e do som.
Entre a máscara e a cara limpa,
em sentimento, se transforma a tinta
na face de quem se pinta.

www.aostraeaperola.blogspot.com

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Para acender a luz


Autor: Laércio Lins

De que material é feito a beleza?
Qual o peso da leveza?
De que momento nasceu o tempo? Será que no mesmo lugar onde foi soprado o primeiro vento?
De que pedra preciosa nasceu a alegria? Das larvas de um vulcão? Da água limpa e fria?
Sentimentos bons têm brilho de metal, tem gosto de festa.
Pensamentos não pensados, palavras nunca ditas ou escritas. Será essa a origem da filosofia?
O bem contra o mal, o bom contra o ruim. 1x0 ou empate? Ou será que um alimenta o outro?
De que magia nasce o encanto. A paixão é uma miragem que faz o feio parecer bonito ou é ilusão de ótica?
Será que o medo é parente do grito?
De que é feito o pensamento? De saudade? De lembranças? De ansiedade? De depressão? De senso crítico? De bom senso? Ou de esquecimento?
O poder é forte? Ou se esconde em uma máscara pra não revelar a fraqueza?
Será que o desejo deseja?
Qual a lógica da lógica?
A morte vive de matar a vida.
A esperança que saiu da caixa de Pandora mora agora no ninho da Fênix e acorda todos os dias de manhã.
Eva comeu mesmo a maçã?
Em meio a isso tudo como fica o amor? Na sessão da tarde ou no filme de terror? No beijo de Hollywood ou na novela da TV Globo?
As mães da praça de maio sofrem e sentem saudade de janeiro a janeiro. Deveriam ser mães da praça do ano inteiro.

www.aostraeaperola.blogspot.com

domingo, 12 de agosto de 2012

Coisas de pais e filhos

Autor: Laércio Lins


Reverencio aqui a poesia que existe no silêncio em homenagem a meu pai que hoje mora numa estrela.
Deixo aqui a saudade de meu avô e a lembrança de quando chegava tirando o chapéu, a perguntar: “Tem café?”

Deixo aqui meu apreço a todos que se fizeram pais por opção, assim como eles. Não importa o tempo ou a época, se as mensagens chegam por e-mail ou se chegavam pelo correio.

A frase bonita da vida não vai mudar, ela já existia antes da máquina de datilografia, hoje mora nos tablets e no futuro, sei lá. Apenas uma certeza, sempre existirá em meu coração um batuque leve das mãos de meu pai sobre a mesa a cantarolar fora de ritmo, quero dizer em seu próprio ritmo.

Pais na construção dos filhos e filhas, desvendando mistérios, dissolvendo incertezas, a transformar escuridão em clareza.

Ontem neto e filho, hoje filho e pai, amanhã pai e avô. Depois de amanhã renascer, por que tudo recomeça. No círculo, inicio e fim estão no mesmo ponto. Assim é a vida, assim é ser pai, uma ligação de pontos que não se aprende na escola. Por que sabedoria e as coisas do amor não se aprendem na escola. Sabedoria é brincadeira de percepção, amor é brincadeira de sentir com o coração que se mantem criança.

A frase bonita também mora no pai que se transforma em criança para ajudar o filho a crescer.
A frase bonita não vai calar, mesmo quando o silêncio chegar sobreviverá nas lembranças, se reinventará no novo sem perder de vista o velho.

Deixo aqui meu apreço e minha admiração a todos que se fizeram pais por vocação, que, às vezes, erram tentando acertar e se reinventam para ser referência. Por que ser pai também é sacrifício e mesmo assim é muito bom. 


Salve 12.08.2012. Dia dos pais
www.aostraeaperola.blogspot.com


sábado, 12 de maio de 2012

A Fonte

Autor: Laércio Lins


Fonte, vertente, que faz jorrar o líquido da vida.
Gerada na terra, a gota d água que sonha ser rio.
Mãe terra que acolhe o grão, que gera o trigo. Terra mãe do pão.
Início, luz depois do aconchego no ventre.
Calor, amor, ovo no ninho quente.
Mãe gente, mãe pássaro.
Início que nunca termina, mãe sina,
que segue e ensina, mesmo sem saber ou por saber demais,
por que a sabedoria é natural e a natureza é sábia,
é escola mãe que ensina a viver.
Mãe é escola de viver nos primeiros passos,
nas primeiras palavras e nos primeiros voos.
Amanhecer que acordou sem ter dormido,
por transformar noite e dia na arte do tempo de criar,
de esculpir a obra, de compor gente.
Fonte e também ponte que liga o continente à ilha.
Sempre mãe, mesmo depois que envelhece e volta a ser filha.
  

Homenagem a todas as mães. Salve 13 de maio de 2012
www.aostraeaperola.blogspot.com