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domingo, 13 de novembro de 2011

Para acender a luz

Autor: Laércio Lins


De que material é feito a beleza?
Qual o peso da leveza?
De que momento nasceu o tempo? Será que no mesmo lugar onde foi soprado o primeiro vento?
De que pedra preciosa nasceu a alegria? Das larvas de um vulcão? Da água limpa e fria?
Sentimentos bons têm brilho de metal, tem gosto de festa.
Pensamentos não pensados, palavras nunca ditas ou escritas. Será essa a origem da filosofia?
O bem contra o mal, o bom contra o ruim. 1x0 ou empate? Ou será que um alimenta o outro?
De que magia nasce o encanto. A paixão é uma miragem que faz o feio parecer bonito ou é ilusão de ótica?
Será que o medo é parente do grito?
De que é feito o pensamento? De saudade? De lembranças? De ansiedade? De depressão? De senso crítico? De bom senso? Ou de esquecimento?
O poder é forte? Ou se esconde em uma máscara pra não revelar a fraqueza?
Será que o desejo deseja?
Qual a lógica da lógica?
A morte vive de matar a vida.
A esperança que saiu da caixa de Pandora mora agora no ninho da Fênix e acorda todos os dias de manhã.
Eva comeu mesmo a maçã?
Em meio a isso tudo como fica o amor? Na sessão da tarde ou no filme de terror? No beijo de Hollywood ou na novela da TV Globo?
As mães da praça de maio sofrem e sentem saudade de janeiro a janeiro. Deveriam ser mães da praça do ano inteiro.

www.aostraeaperola.blogspot.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

A filosofia, poesia e música de Orlando Doido

Autor: Laércio Lins

A filosofia poesia e música de Orlando Doido
Laércio Lins

Orlando era um sujeito tranqüilo, estatura mediana, magro e com olhar rápido de quem estava atento a tudo, conhecido como Orlando Doido, vivia pelas ruas de Catende, cidadezinha de trinta mil habitantes do estado de Pernambuco, onde nasci. Falavam que ele ficou maluco de tanto estudar. Eu não acreditava que alguém pudesse enlouquecer de tanto estudar e vez ou outra conversava com Orlando, eu era um garoto de 12 ou 13 anos quando meu pai me repreendeu por estas conversas. Eu não via nada demais nisso, acho que meu pai temia que eu pudesse enlouquecer também, talvez pensasse que doidice passa como gripe.

Orlando morava sob uma caixa d água da prefeitura ao lado da casa de bombas. Certa vez, ele me confessou falando baixinho, quase um segredo, que não havia conseguido dormir na noite anterior por que a música que saía da bomba d água estava desafinada.
O ambiente onde ele morava, apesar de arejado, tinha um cheiro de papéis velhos misturados com um odor natural que ele exalava por escassez de banho. Uma das paredes estava coberta por algumas pilhas de revistas e jornais velhos, “organizadas” completamente fora de ordem. O ambiente não era um melhores onde já estive. Só fui lá uma vez, depois disso preferia conversar com ele na rua, de preferência em lugares ventilados pra amenizar os “perfumes”.

Aprendi com Orlando a observar coisas sem a intensão de julgar, apenas pelo prazer de olhar, ver e viver o momento. Uma lição de simplicidade.
Ele também tinha umas manias. Gostava de ler apenas pelo prazer de ler, de juntar as letras em voz alta e curtir o som das palavras, isso para mim soava como poesia parnasiana, apenas forma sem conteúdo, era muito engraçado.

Até hoje, lembro de Orlando quando folheio revistas velhas, normalmente em consultórios médicos, sempre tem revistas velhas em consultórios médicos, eles não são loucos e também gostam de guardar revistas velhas, alguns acham que também gostamos, talvez por nos ver como pacientes e não como clientes, mas isso é tema para outro texto.

Orlando às vezes cantava gesticulando como se tocasse um violão, parava no meio da música para afinar as cordas imaginárias numa concentração de fazer inveja. Certo dia, fizemos uma banda. Ele com seu violão e eu com minha bateria imaginária novinha. Eu não estava vendo nem a bateria nem o violão, mas, ele estava, me perguntou onde comprei e elogiou a cor, fizemos um som muito diferente naquela tarde, foi muito divertido.

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Instagram: @laércio.lins