Autor: Laércio Lins
De que material é feito a beleza?
Qual o peso da leveza?
De que momento nasceu o tempo? Será que no mesmo lugar onde foi soprado o primeiro vento?
De que pedra preciosa nasceu a alegria? Das larvas de um vulcão? Da água limpa e fria?
Sentimentos bons têm brilho de metal, tem gosto de festa.
Pensamentos não pensados, palavras nunca ditas ou escritas. Será essa a origem da filosofia?
O bem contra o mal, o bom contra o ruim. 1x0 ou empate? Ou será que um alimenta o outro?
De que magia nasce o encanto. A paixão é uma miragem que faz o feio parecer bonito ou é ilusão de ótica?
Será que o medo é parente do grito?
De que é feito o pensamento? De saudade? De lembranças? De ansiedade? De depressão? De senso crítico? De bom senso? Ou de esquecimento?
O poder é forte? Ou se esconde em uma máscara pra não revelar a fraqueza?
Será que o desejo deseja?
Qual a lógica da lógica?
A morte vive de matar a vida.
A esperança que saiu da caixa de Pandora mora agora no ninho da Fênix e acorda todos os dias de manhã.
Eva comeu mesmo a maçã?
Em meio a isso tudo como fica o amor? Na sessão da tarde ou no filme de terror? No beijo de Hollywood ou na novela da TV Globo?
As mães da praça de maio sofrem e sentem saudade de janeiro a janeiro. Deveriam ser mães da praça do ano inteiro.
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Ostra e Pérola. Estéticas diferentes que revelam equilíbrio e perfeição. A beleza, a verdade e a liberdade são escolhas, estão no olhar de quem vê.
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domingo, 13 de novembro de 2011
terça-feira, 18 de maio de 2010
A filosofia, poesia e música de Orlando Doido
Autor: Laércio Lins
Orlando
às vezes cantava gesticulando como se tocasse um violão, parava no meio da
música para afinar as cordas imaginárias numa concentração de fazer inveja. Certo
dia, fizemos uma banda. Ele com seu violão e eu com minha bateria imaginária
novinha. Eu não estava vendo nem a bateria nem o violão, mas, ele estava, me
perguntou onde comprei e elogiou a cor, fizemos um som muito diferente naquela
tarde, foi muito divertido.
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A filosofia poesia
e música de Orlando Doido
Laércio Lins
Orlando era
um sujeito tranqüilo, estatura mediana, magro e com olhar rápido de quem estava
atento a tudo, conhecido como Orlando Doido, vivia pelas ruas de Catende,
cidadezinha de trinta mil habitantes do estado de Pernambuco, onde nasci.
Falavam que ele ficou maluco de tanto estudar. Eu não acreditava que alguém
pudesse enlouquecer de tanto estudar e vez ou outra conversava com Orlando, eu
era um garoto de 12 ou 13 anos quando meu pai me repreendeu por estas
conversas. Eu não via nada demais nisso, acho que meu pai temia que eu pudesse
enlouquecer também, talvez pensasse que doidice passa como gripe.
Orlando morava
sob uma caixa d água da prefeitura ao lado da casa de bombas. Certa vez, ele me
confessou falando baixinho, quase um segredo, que não havia conseguido dormir
na noite anterior por que a música que saía da bomba d água estava desafinada.
O ambiente
onde ele morava, apesar de arejado, tinha um cheiro de papéis velhos misturados
com um odor natural que ele exalava por escassez de banho. Uma das paredes
estava coberta por algumas pilhas de revistas e jornais velhos, “organizadas”
completamente fora de ordem. O ambiente não era um melhores onde já estive. Só
fui lá uma vez, depois disso preferia conversar com ele na rua, de preferência
em lugares ventilados pra amenizar os “perfumes”.
Aprendi com
Orlando a observar coisas sem a intensão de julgar, apenas pelo prazer de olhar,
ver e viver o momento. Uma lição de simplicidade.
Ele também tinha
umas manias. Gostava de ler apenas pelo prazer de ler, de juntar as letras em
voz alta e curtir o som das palavras, isso para mim soava como poesia
parnasiana, apenas forma sem conteúdo, era muito engraçado.
Até hoje,
lembro de Orlando quando folheio revistas velhas, normalmente em consultórios
médicos, sempre tem revistas velhas em consultórios médicos, eles não são
loucos e também gostam de guardar revistas velhas, alguns acham que também
gostamos, talvez por nos ver como pacientes e não como clientes, mas isso é
tema para outro texto.
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