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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A voz do silêncio

Autor: Laércio Lins

Bebo a palavra, brindo à palavra.
Exposto ao silêncio que fere a palavra,
vivo a palavra, alma da língua,
a morrer de sede, em silêncio, à míngua.

Água palavra nossa de cada dia.
brilho do sol que clareia a areia da praia,
não me falte o encanto, mesmo em silêncio não cale.
Silêncio noturno que apaga a esperança,
não me roube a poesia, por favor cante, diga, fale.

Bebo o silêncio, brindo ao silêncio,
No silêncio que afaga o gesto, vivo.
Vivo o silêncio, alma do pensamento
que se expressa no olhar.
Escuto as palavras que moram nas entrelinhas
Escuto o silêncio que fala.

www.aostraeaperola.blogspot.com.br

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nascente de um rio, nascente de palavras

Autor: Laércio Lins

Assim como o amanhecer e o sol a nascer,
assim como uma planta que brota da semente,
assim como planta revelada pelas as primeiras folhas sobre a terra viva e úmida.
Surge o pensamento a partir silêncio das entrelinhas,
berço das palavras que não podem ser escritas nem faladas,
pensamentos que se transformam em gestos e atitudes,
pensamento, vulcão que explode em ação,
pensamento calmaria após a tempestade, que revela o homem.
Momento de uma chama que invade o peito e a cabeça, queimando como ácido.
Momento de um sentimento que invade o peito e a cabeça, resfriando como gelo.
A sensação de se olhar no espelho e se descobrir, se gostar ou não.
Olhar, visão, ver, perceber, razão, emoção.
Surge as palavras, antes guardadas no útero materno do silêncio.
Surge as idéias, antes perdidas em questões sem respostas.
Antes perdidas em dúvidas.
Surge o homem, misto de Pegaso e Fênix.
Contradição de Ícaro a fugir dos labirintos de Creta,
a se encantar com o sol esquecendo suas asas de cera até cair no mar.
Nasce palavras dos pensamentos.
Busca de Peter Pan por suas fantasias sobre a “terra do nunca”
Silêncio, nascente e berço das palavras sagradas e das palavras malditas.
Silêncio, palavra que não nasceu, não vingou,
Silêncio, expressão sem som, sem fonema.
Silêncio, à espera da grande explosão,
à espera de um Big-bang de frases que revelem o entendimento.
Escuridão à espera da claridade.
Raio gigante à escrever na lousa do infinito,
Raio gigante à escrever na lousa da noite escura.
Silêncio de esperança, surgindo como brisa fertilizando o vazio.
Palavras de esperança, brotando como água da nascente do rio.

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