sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desejo incomum

Autor: Laércio Lins

Quero um lugar...
...Um "lugar" onde cabe o imensurável, onde não cabem fórmulas ou formas definitivas. Por que o universo, uma galáxia, um grão de areia ou a cabeça, estão e são ambientes de transformação.
Um lugar onde as definições sedem espaço para os conceitos. Por que gente não é exato e já descobrimos que não há espaço para a técnica sem humanidade ou para a forma sem conteúdo.
Um lugar aberto à idéias e inovações, onde pré-conceitos não são bem vindos por que limitam a liberdade de expressão, de sentimento e de pensamento
Um lugar onde a igualdade respeita as diferenças. Por que cada pessoa é única e livre para promover o bem comum e o amor.
Um lugar onde o tempo não acaba, apenas continua. Por que a vida é um processo de melhoria contínua e não pára, onde olhar se transforma em Ver e ouvir se transforma em Escutar.
Um lugar onde a solidão seja apenas uma palavra no dicionário e todos tenham direitos, deveres e prazer de ser útil. Por que se cada um fizer a parte que lhe cabe, tudo será melhor para todos.
Um lugar onde cabe a esperança e fé, por que se tudo acabar restará a certeza de recomeçar.
Apenas um lugar...

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sobre água e pessoas

Autor: Laércio Lins

A natureza da água é fluir em direção ao mar. No percurso, se transforma em chuva, vapor ou gelo e também transforma lugares, coisas e pessoas sem jamais perder o objetivo.
Jamais estagnação, a água parada apodrece. O homem sem direção perde também o sentido e morre mesmo estando vivo.
Sejamos vida, sejamos inquietos em direção a nossos ideais, assim como a água. Que nossos sonhos e planos não morram na vontade distante ou no papel. A natureza da água e do homem é seguir em frente.
O ano novo não trará mudanças, somos nós que, através de nossas ações, gestos e atitudes, levaremos mudanças para o novo ano.
Sucesso a todos nós e quando o peso parecer insuportável, fé, Deus estará ao nosso lado para nos ajudar.
Onde houver uma gota d água, não importa a altitude, ela estará em direção ao nível do mar.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sugestão

Autor: Laércio Lins


Sugiro que você hoje se olhe no espelho e diga para si o quanto é bonita ou bonito. Que merece sucesso, saúde, paz, carinho e amor.
Diga o quanto se gosta e o quanto se admira, o que merece de bom por que você é do bem e só constrói o bem.
Se olhe nos olhos e agradeça a Deus por todas as coisas que você tem e por todas as coisas que conquistou. Pense nas pessoas que você gosta e que são importantes pra sua vida.
Se olhe nos olhos e se curta, se admire como uma obra de arte. Cuide de seus pés, eles são a base de sustentação de uma obra de arte, você É uma obra de arte da natureza.
Se olhe no espelho e observe sua alma nua, admire seu corpo, seu olhar e seu sorriso. Faça também algumas caretas pra ativar o humor.
Fique um tempo com você, livre de interferências externas. Pense que há coisas que só você pode fazer por você. Depois, siga forte pra enfrentar as adversidades do dia a dia, para tirar do baú velhos projetos e acordar para realizar velhos sonhos.
Seu dia, sua semana, seu mês e seu ano são o tempo e o espaço que você precisa e dispõe pra ser feliz.

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domingo, 13 de novembro de 2011

Para acender a luz

Autor: Laércio Lins


De que material é feito a beleza?
Qual o peso da leveza?
De que momento nasceu o tempo? Será que no mesmo lugar onde foi soprado o primeiro vento?
De que pedra preciosa nasceu a alegria? Das larvas de um vulcão? Da água limpa e fria?
Sentimentos bons têm brilho de metal, tem gosto de festa.
Pensamentos não pensados, palavras nunca ditas ou escritas. Será essa a origem da filosofia?
O bem contra o mal, o bom contra o ruim. 1x0 ou empate? Ou será que um alimenta o outro?
De que magia nasce o encanto. A paixão é uma miragem que faz o feio parecer bonito ou é ilusão de ótica?
Será que o medo é parente do grito?
De que é feito o pensamento? De saudade? De lembranças? De ansiedade? De depressão? De senso crítico? De bom senso? Ou de esquecimento?
O poder é forte? Ou se esconde em uma máscara pra não revelar a fraqueza?
Será que o desejo deseja?
Qual a lógica da lógica?
A morte vive de matar a vida.
A esperança que saiu da caixa de Pandora mora agora no ninho da Fênix e acorda todos os dias de manhã.
Eva comeu mesmo a maçã?
Em meio a isso tudo como fica o amor? Na sessão da tarde ou no filme de terror? No beijo de Hollywood ou na novela da TV Globo?
As mães da praça de maio sofrem e sentem saudade de janeiro a janeiro. Deveriam ser mães da praça do ano inteiro.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Viajante do tempo

Autor: Laércio Lins

Lembro daquela viagem.
No porão de um navio negreiro, sou escravo, tenho banzo, sinto frio.
Sofro em várias senzalas, saudade de minha amada.
Vivo em quilombos e sou amigo de Zumbi.
Aprendo com a dor da guerra, o valor da liberdade e o amor por minha terra.
Sou sertanejo, vejo vegetações e folhagens confirmando a estiagem, a terra seca, rachada e o gado sem pastagem.
Também vivo no mangue com amigos caranguejos.
Mergulho em terras estranhas, sou muito curioso.
No alto de uma montanha,
espero por vida nova trazida por Conselheiro.
À luz de um candeeiro escrevo lindos cordéis,
encho os dedos de anéis
e me transformo em bacamarteiro.
Também sou feirante, pescador, ticuqueiro e cambiteiro,
estafeta e vaqueiro. Até compus um aboio.
Sou parceiro de poetas consagrados,
João Cabral de melo Neto e Manoel bandeira.
Sou cangaceiro do bando de Lampião a fugir das volantes
pra minha cabeça não ser cortada.
Canto coco de roda, embolada e ciranda com Lia de Itamaracá,
danço forró e sou rei. Sim, Rei do maracatu rural.
Faço repente abraçado à viola,
cujo mote é o passo de uma ema
e no aconchego da sombra da jurema
adormeço, ao por do sol, nos braços de Iracema.
Converso com Pedro Malazarte,
vejo arte na astúcia de João Grilo,
nas traquinices de Cancão de fogo
e nas desordens de Corisco.
Ajudo Ascenso Ferreira botar o trem nos trilhos
e com ele vou Danado pra Catende pra olhar as moendas da usina.
Me lambuzar no melaço, ver a queimada na cana em nome do açúcar,
mesmo que eu vire bagaço.

Sou viajante do tempo em que a vida é um teatro,
episódios e lendas são partes de uma peça em três atos,
os personagens e mitos são atores tão presentes
que as alegrias e tristezas, o real e a fantasia,
a razão e a emoção, o sim e o não,
são apenas partes da vida que eu mesmo faço.


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domingo, 23 de outubro de 2011

Resta

Autor: Laércio Lins


Resta a resta da fresta da porta,
o rastro de espuma depois do navio
o traço de fumaça depois do avião
o rastro da saudade do amor que sumiu

Resta o passo do homem que segue sozinho
Resta o rastro no fim do caminho
o sopro do vento girando o moinho
A vida no pássaro, o ovo no ninho.

Resta o trovão depois do relâmpago,
resta a fumaça depois da explosão
resta a lava depois do vulcão.
Depois do fogo, da água e do ar, resta o chão


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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bandeira encantada

Autor: Laércio Lins


Bandeira encantada, um destino,
me faz de novo menino.
Nuvem azul, uma força,
fada madrinha, um caminho.
Estrela, mãe e guerreira,
jamais me deixas sozinho.

Estrada encantada, esperança,
me faz de novo criança.
Descanso livre em teu colo,
me conduz, me orienta na viagem.
Virgem madrinha me guia
para que eu não me perca em miragem.

Luz encantada, um brilho,
me abraça, eu sou teu filho.
Mãe e Senhora, meu rumo,
me entrego inteiro em teus braços,
ilumina meu destino
e a direção de meus passos.


Homenagem à Mãe de todas as mães em seu dia no Brasil. Salve 12.10.2011
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